Pechinchar

Pechinchar é como jogar cartas. Para quem vende e para quem compra, é preciso ter segurança sobre o que se tem em mão e sobre o que deseja do outro. Ser firme quanto ao limite do ceder. E, principalmente, ter um talento incrível para blefar sobre tudo isso.

Além de um exímio pedreiro, meu tio sempre foi um excelente trocador. Saía de casa com uma bicicleta e chegava mais tarde com uma moto. Saía com uma moto e chegava com duas. Trocava uma delas por um som profissional, uma bicicleta e ainda o dinheiro do mês. Depois, recomeçava o ciclo. E ficava puto nas raras vezes em que “levava canudo”.

Aquilo me irritava quando criança, mas hoje enxergo uma beleza que nunca havia enxergado naquele sistema de escambo. Melhor, percebo que, de alguma forma, aprendi com tudo aquilo, afinal muitas vezes a vida é pura pechincha.

Anúncios

O que Dona Irene aprendeu e ensinou sobre Zé Pelintra

Zé Pelintra, ilustrado por Weber Bagetti, na revista Graciliano nº 14

Zé Pelintra, ilustrado por Weber Bagetti, na revista Graciliano nº 13

Um dos lugares onde eu mais aprendo e me emociono é dentro de casa. Minha avó, Dona Irene, se delicia com a nova edição da revista Graciliano e faz festa por conhecer a real representação da entidade “Zé Pelintra”, sobre quem ela “ouvia muito falar quando era criança, em Pernambuco”.

– Eu ouvia muito sobre ele, mas muita coisa ruim. Agora descobri que é meu conterrâneo. É muito bom ler. A pessoa que não lê e não aprende, não tem valor.

Dona Irene queria ser professora, mas só teve oportunidade de estudar até a quarta série do Ensino Fundamental. Até hoje, porém, tem sempre nas mãos, sob os olhos, qualquer coisa que tenha três ou quatro letras escritas. Também adora lápis, caneta e papel limpo, onde traduz muitos pensamentos em cordel.

Zé Pelintra e outras entidades e orixás das religiões de matriz africana foram ilustradas pelo artista plástico Weber Bagetti na revista Graciliano nº 13, para a qual tive o prazer de também escrever sobre uma pesquisa da Ufal que mapeou os terreiros existentes em Maceió.

Você pode conferir as imagens e os pontos de venda da revista no Blog da Graciliano. É só clicar aqui! 

😉

Incêndio em Satuba

Vida x destruição (gafanhoto)

Dessa vez não farei nenhuma citação de abertura: a imagem fala por si mesma.

Fotografia de José Emilio Perillo em incêndio, ontem (19), na área da Escola Agrotécnica Federal de Satuba. Um gafanhoto pousa em um galho de árvore, depois de voar muito fugindo do fogo e da fumaça (logo atrás, no desfoque).

“A vida contra a destruição”, diz o fotógrafo sobre a imagem.

Segundo funcionários da escola, cerca de 10 hectares (dez mil metros quadrados) de terra devem ter sido destruídos pelas chamas. Destruição que atingiu o pasto dos gados da escola, os pequenos animais – como os chamados tejos -, parte de uma reserva de mata atlântica e cerca de 2 mil mudas de “madeiras de lei”, plantadas e cuidadas pelos alunos.

E, pior, destruição que pode ter sido proposital. “Isso foi gente ruim que fez”, diziam moradores e funcionários. “Isso foi, provavelmente, criminoso”, dizia o Corpo de Bombeiros. Vai saber o que se passa na cabeça dos seres humanos…

(Matéria completa amanhã (20) na Gazeta de Alagoas)

Vida…

A vida é um precipício a cada segundo.

(jornalista Carlos Nealdo)

Lamento o acidente que matou o jornalista Roberto Braga, repórter da TV Gazeta. Eu o conhecia há pouco tempo, mas em todas as ocasiões em que estivemos juntos, ele se mostrou um dos caras mais humanos que eu conheci, sempre disposto a compartilhar idéias e conhecimentos.

Uma pena o que aconteceu. Meus sinceros sentimentos à família, em especial à mulher amada, com quem ele casaria em breve. Que fiquem as boas lembranças..