Vamos ao que interessa

Absolutismo

Durante a semana, ouvi vários amigos comentando sobre a entrevista de um pastor no programa de Marília Gabriela. Alguns estavam indignados e outros indicavam a entrevista como um debate interessante de se ver. Não resisti à curiosidade e assisti agora. Como esperava, mais do mesmo. De um lado e de outro.

O pastor cumpria ali seu papel de se sobrepor à apresentadora com seus discursos fabricados na igreja – e dos quais jamais pode abrir mão, sob risco de perder a credibilidade entre os “fiéis” – e a apresentadora de garantir audiência para a emissora de TV.

Os pontos que seriam os mais interessantes do debate acabaram coadjuvantes em meio a uma discussão vazia sobre a homossexualidade e suas causas. Gostaria de saber mais, por exemplo, sobre o enriquecimento absurdo da empresa religiosa do pastor e sobre as consequências de tanta influência do universo religioso no Estado e na mídia, coisas que me deixam preocupadas hoje no Brasil. Tanto quanto me deixa abismada a capacidade de comunicação e marketing desses líderes religiosos, que abocanham audiências inacreditáveis mesmo entre aqueles que acreditam estarem combatendo os discursos de ódio.

Acredito que quanto mais audiência se dá às minúcias destes discursos, seja positiva ou negativa, mais poder eles ganham entre aqueles que os defendem. O que devemos discutir e criticar duramente, sem arrodeios nem argumentos apaixonados, são as consequências de uma visão absolutista para a sociedade – coisa que a humanidade conhece bem.

Em tempo: é QUASE invejável a inteligência emocional e a capacidade de manipulação destes líderes religiosos. Eu disse “quase”. Pois fico com a – talvez melhor da entrevista – frase final da Marília Gabriela: “que o meu Deus os perdoe”.

Para complementar, um texto que gostei e recomendo sobre a tal entrevista: Absolutamente.

Anúncios