O Impossível – a tragédia relembrada

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Não lembro a última vez que uma produção mexeu tanto comigo dentro de uma sala de cinema. “Impacto emocional” é mesmo uma expressão bem coerente com o filme “O impossível”, que os cinemas de Maceió tratam como algo que deve passar logo ou que não vale a perda de tempo. A estreia foi lá pro dia 20 de dezembro e o Centerplex já o tirou de cartaz. O Lumiére ainda tem UMA sessão, em UMA sala, DUBLADO, às 21h, para quem não tem muita coisa pra fazer na manhã seguinte. O Kinoplex é o único que mantém sessões legendadas, são duas, ambas à noite, uma delas em um horário mais interessante.

Concordo com as críticas que li e ouvi sobre a qualidade do filme, sobre a excelente atuação dos atores e atrizes e inclusive sobre o exagero e pieguice em algumas cenas de apelo emocional, desnecessárias diante de todo o drama que se passa na tela. Mas em resumo um filme com efeitos especiais convincentes e bem marcante, especialmente por tratar de uma tragédia que matou mais de 200 mil pessoas há oito anos e que a mídia ocidental só lembra de quando em vez. Também, foi lá do outro lado do mundo, longe da América, não é? Quem liga?…

O filme mostra o drama de uma família (pai, mãe e três filhos) que sobrevive ao tsunami na Tailândia, quarto país mais atingido pelas ondas: cerca de 11 mil morreram. Na Indonésia foram 127 mil mortos. E aí vem o tema da esperança, do acreditar que “o impossível” pode acontecer, do amor, e aquele sentimentalismo todo de Hollywood. Bom, a tragédia foi na Ásia e atingiu parte da África, mas a família protagonista é britânica, branquinha de neve, financeiramente confortável e passava férias em hotel fantástico quando foi surpreendida pela onda gigante. Separados em dois grupos no impacto, inacreditavelmente os cinco se reencontram em um final feliz e “impossível”.

Mas o aviso inicial e uma foto caseira no final indicam: tudo baseado em história real. Pesquisei um pouco e li que esta família seria espanhola, mas não encontrei nada mais aprofundado sobre a citada história real (se alguém souber me indica). Tivesse lido e acharia o roteiro menos forçado neste sentido. Mas confessemos: às vezes amamos essa coisa hollywoodiana, especialmente quando todo o resto, de tão cru e cruel, é convincente. Destaco dois pontos que me chamaram a atenção: o esforço do garoto Lucas para ser “grande” e forte para cuidar da mãe e o breve diálogo sobre as estrelas entre o menino Thomas e uma senhora, que agora vi se tratar de Geraldine Chaplin, primogênita de Charles Chaplin.

Sobre o drama social real, encontrei no Youtube dois vídeos assustadores que mostram como um tsunami pode devastar uma cidade, um deles filmado de um hotel na Tailândia. Acredito serem imagens reais e por isso compartilho: http://migre.me/cFrom (Tailândia) e http://migre.me/cFrql (Japão).

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