Seu Gógli

Na fila do banco, atendo ao telefonema da minha avó:

– Deliê, chegou uma carta aqui em casa pra você.

– Certo, de quem?

– Do “Seu Gógli”.

– De quem??!!

– Do “Seu Gógli”.

– Vozinha, por favor soletre o nome desse distinto senhor…

G-O-O-G-L-E. Gógli.

De repente, todos no banco observavam a minha crise de riso.

Coisas que só a minha avó proporciona. Vale até um Putz!, não acham?!

😉

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Como esquecer

Os livros são sempre companheiros. A leitura da vez é “Como esquecer”, da escritora Myriam Campello. A obra inspirou o filme brasileiro homônimo, dirigido por Malu de Martino.

A seguir alguns trechos do livro:

Quando alguém diz eu te amo para sempre, tenha certeza que você só tem uma opção: acreditar, babaca. Eu acredito em amor eterno, Papai Noel, coelhinho da Páscoa e que todo sofrimento tem fim.

E essa missão de morte me humilha, obrigada que sou a dar marcha a ré e demolir com violência a construção que eu mesma levantei amorosamente, dinamitar memórias e paisagens talhadas para os séculos. Não saio para não ver uma cidade retorcida, ainda fumegando.

Estou abúlica, monomaníaca demais para ser boa companhia. Alguns [amigos] se cansam. O mundo contemporâneo mostra-se pouco à vontade ante uma dor que excede seus prazos exíguos. O sofrimento alheio dá enjôo. Pouco importa que se tenha perdido tudo. E daí? – pensam, tricando a torradinha. A tese de Hugo é a de que a reação dos outros é inveja recalcada: as pessoas se vingam de tantos anos de felicidade a que tiveram que assistir do sereno.

Tento puxar da vala comum uma autoestima sobressalente para enfrentar as marés que se quebram contra minha nau afundando.

1502 dias

Quando o Sol acorda, os pingos rolam quentes pelo rosto. É quando os cílios cerram com força, tanta força que o corpo levanta e vai para a vida. A menina reexperimenta o lado escuro da luz e novamente percebe que os espaços são insuficientes. E cai. Desta vez, os joelhos não têm mais força para ir ao chão clamar por aquele amor (ele existiu?). Vem então a lembrança daquele dia de Sol, quando uma forte chuva veio e a menina ouviu, mesmo que ninguém tenha dito: “agora é só você”. Aquela frase reduziu os sorrisos em seu rosto – dizem por aí que a menina ficou até pesada. A mesma frase parece ecoar agora, em meio a mais uma tempestade. A menina só espera pelo dia em que o Sol vai acordar e os pingos quentes não mais rolarão. Aí terá a certeza de que ela morreu. Por enquanto, ela só agoniza.

Tropa de Elite 2 e as coincidências

– Traficantes, milícias… Não existe lado bom nessa história.
– Mas talvez exista o lado menos ruim.
– Acássia, não existe lado bom.

(Um diálogo pós-telão com a sábia Ariana Maurício)

José Padilha, diretor dos dois filmes da série Tropa de Elite, disse recentemente em alguma entrevista que gostava de fazer “filme político”. E Tropa de Elite 2 é um desses filmes, perturbador desde antes da primeira cena, com aquele aviso que já conhecemos (ironia?): “Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma coincidência. Esta é uma obra de ficção“.

Uma produção muito bem feita, sou mais uma a engrossar o coro. Belas cenas, personagens muito bem construídos, um roteiro convincente – e quem sabe mais sobre cinema do que eu pode enumerar as outras boas (ou não) características cinematográficas do filme brasileiro.

Mas nada se compara ao prazer da discussão pós-telão. Nada se compara ao prazer de ver um capitão – agora coronel – Nascimento convivendo nas entranhas do poder. Claro, é ótimo ir ao cinema e poder relaxar, ao lado de uma boa companhia, com um “Comer, Rezar e Amar”. Melhor ainda é refletir sobre um “Tropa de Elite 2”.

Por exemplo, o quase inevitável sentimento maniqueísta que insiste em querer aflorar na consciência (talvez fruto da muitas vezes triste experiência como eleitor/a no Brasil): seria o forte esquema criminoso do tráfico de drogas “menos ruim” à população que o forte esquema criminoso das milícias? Ou o inverso? Um simples argumento desbanca o questionamento medíocre: não existe lado bom.

#Fato

Às margens (mas integrada) de um sistema econômico cruel, sem água, energia elétrica, internet a preço acessível e outros serviços que deveriam estar na lista de prioridades das políticas públicas no Brasil, resta à população ficar à mercê de quem ofereça tais serviços, sejam estes bandidos uniformizados ou não. Uma pena. Tanto quanto a lamentável constatação de que, em nosso querido país sem Educação eficiente, é esse o preço de muitos mandatos políticos a cada dois anos, inclusive muitas vezes com o apoio da mídia. Isto não é mera coincidência, Padilha.

Aproveitando o gancho financeiro, paguei R$ 12 pelo ingresso no cinema*, mas foi impagável ver nossa Brasília estampando um das cenas finais do filme, ao som da narração do protagonista interpretado por Wagner Moura. Desolador? Um bocado. Mas o filme trouxe junto um tanto daquele sentimento de esperança que nos fortalece em muitos momentos.

Começando pelo fato de podermos assistir nos cinemas brasileiros um filme nacional como Tropa de Elite 2. Não, não estou achando que isso é muito. Afinal, vivemos nos orgulhando de que o país cada vez mais consolida a sua democracia e liberdade de expressão e pensamento. Mas também não devo crer que isso é insignificante. Afinal, as ameaças à liberdade de expressão e pensamento estão sempre por aí, nos rondando. Não é mesmo, coronel Nascimento?

Continuando. Também é esperançoso ver, mesmo que no telão, um deputado Fraga, eleito democraticamente, à frente de uma CPI verdadeiramente comprometida em solucionar um caso escabroso de corrupção dentro do poder público. Só posso desejar e acreditar, pelo bem da minha breve existência por estas bandas, que também isto, Padilha, não seja somente mera coincidência.

* Novo cinema Lumière, no Shopping Farol. Gostei.

😉

Sorteio no Twitter

PROMOÇÃO

Por Trás dos Muros no Twitter

Sem delongas, a promoção é simples: será sorteado um exemplar do livro-reportagem “Por Trás dos Muros” entre aqueles que ajudarem a divulgar o trabalho por meio da ferramenta RT do Twitter.

Para participar do sorteio, basta twittar a seguinte mensagem (cor verde):

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RT @falacassilda Loucura: quero olhar #PorTrasDosMuros. Acesse http://kingo.to/5k4

<

O sorteio será realizado por meio do Sorteie.me, na noite da próxima sexta-feira (17), e o resultado será divulgado no blog www.falacassilda.wordpress.com e no www.twitter.com/falacassilda .

O ganhador receberá um exemplar autografado do livro-reportagem “Por Trás dos Muros”, publicado no dia 11 de agosto de 2010, pela Editora Multifoco.

Por trás dos Muros: é um livro-reportagem produzido a partir de pesquisas no Hospital Escola Portugal Ramalho – único hospital psiquiátrico completamente público de Alagoas – e convida o leitor para uma viagem inédita ao universo psiquiátrico. Por seu caráter inovador, a obra foi vencedora, em 2009, dos prêmios Expocom Nordeste e Expocom Brasil (categoria livro-reportagem), promovidos pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação, a Intercom.

Por Trás dos Muros: lançamento e autógrafos

Lançamento do livro Por Trás dos Muros, no dia 11 de agosto de 2010 (Fotos: Itawiltanã Albuquerque)

Depois do inevitável adiamento, finalmente o lançamento. Foi muito bonito. Emocionei-me com a presença dos amigos, da família, dos integrantes do Hospital Escola Portugal Ramalho, de todos os presentes, enfim.

Emoção

Emocionei-me com a lucidez de Manoel (nome fictício) questionando-me por que seu nome havia saído “errado” no livro. “Não saiu errado, ‘Manoel’, era preciso”. Ele retrucou, pedindo uma dedicatória iniciada com seu nome completo. Ri.

Gente amada

Emocionei-me com as palavras dos componentes da mesa de honra e daqueles amados e queridos. Que a leitura do livro seja prazerosa e permita boas reflexões sobre o universo psiquiátrico. Que estigmas possam ser quebrados.

Depois de três copos com água, o discurso improvisado...

Compartilhando o pensamento do jornalista Heródoto Barbeiro, presente no discurso: “A missão do jornalismo, também, é contar histórias de seres humanos que possam contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e pacífica. Não é a de se enterrar na lama do sensacionalismo e divulgar apenas notícias ruins. […] Investigar e contar histórias ajuda os cidadãos a entender o mundo que os cerca. O que poderia existir de mais compensador em uma profissão?”.

Obrigada a todas/os!