O que Dona Irene aprendeu e ensinou sobre Zé Pelintra

Zé Pelintra, ilustrado por Weber Bagetti, na revista Graciliano nº 14

Zé Pelintra, ilustrado por Weber Bagetti, na revista Graciliano nº 13

Um dos lugares onde eu mais aprendo e me emociono é dentro de casa. Minha avó, Dona Irene, se delicia com a nova edição da revista Graciliano e faz festa por conhecer a real representação da entidade “Zé Pelintra”, sobre quem ela “ouvia muito falar quando era criança, em Pernambuco”.

– Eu ouvia muito sobre ele, mas muita coisa ruim. Agora descobri que é meu conterrâneo. É muito bom ler. A pessoa que não lê e não aprende, não tem valor.

Dona Irene queria ser professora, mas só teve oportunidade de estudar até a quarta série do Ensino Fundamental. Até hoje, porém, tem sempre nas mãos, sob os olhos, qualquer coisa que tenha três ou quatro letras escritas. Também adora lápis, caneta e papel limpo, onde traduz muitos pensamentos em cordel.

Zé Pelintra e outras entidades e orixás das religiões de matriz africana foram ilustradas pelo artista plástico Weber Bagetti na revista Graciliano nº 13, para a qual tive o prazer de também escrever sobre uma pesquisa da Ufal que mapeou os terreiros existentes em Maceió.

Você pode conferir as imagens e os pontos de venda da revista no Blog da Graciliano. É só clicar aqui! 

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Como esquecer

Os livros são sempre companheiros. A leitura da vez é “Como esquecer”, da escritora Myriam Campello. A obra inspirou o filme brasileiro homônimo, dirigido por Malu de Martino.

A seguir alguns trechos do livro:

Quando alguém diz eu te amo para sempre, tenha certeza que você só tem uma opção: acreditar, babaca. Eu acredito em amor eterno, Papai Noel, coelhinho da Páscoa e que todo sofrimento tem fim.

E essa missão de morte me humilha, obrigada que sou a dar marcha a ré e demolir com violência a construção que eu mesma levantei amorosamente, dinamitar memórias e paisagens talhadas para os séculos. Não saio para não ver uma cidade retorcida, ainda fumegando.

Estou abúlica, monomaníaca demais para ser boa companhia. Alguns [amigos] se cansam. O mundo contemporâneo mostra-se pouco à vontade ante uma dor que excede seus prazos exíguos. O sofrimento alheio dá enjôo. Pouco importa que se tenha perdido tudo. E daí? – pensam, tricando a torradinha. A tese de Hugo é a de que a reação dos outros é inveja recalcada: as pessoas se vingam de tantos anos de felicidade a que tiveram que assistir do sereno.

Tento puxar da vala comum uma autoestima sobressalente para enfrentar as marés que se quebram contra minha nau afundando.

Por Trás dos Muros: lançamento e autógrafos

Lançamento do livro Por Trás dos Muros, no dia 11 de agosto de 2010 (Fotos: Itawiltanã Albuquerque)

Depois do inevitável adiamento, finalmente o lançamento. Foi muito bonito. Emocionei-me com a presença dos amigos, da família, dos integrantes do Hospital Escola Portugal Ramalho, de todos os presentes, enfim.

Emoção

Emocionei-me com a lucidez de Manoel (nome fictício) questionando-me por que seu nome havia saído “errado” no livro. “Não saiu errado, ‘Manoel’, era preciso”. Ele retrucou, pedindo uma dedicatória iniciada com seu nome completo. Ri.

Gente amada

Emocionei-me com as palavras dos componentes da mesa de honra e daqueles amados e queridos. Que a leitura do livro seja prazerosa e permita boas reflexões sobre o universo psiquiátrico. Que estigmas possam ser quebrados.

Depois de três copos com água, o discurso improvisado...

Compartilhando o pensamento do jornalista Heródoto Barbeiro, presente no discurso: “A missão do jornalismo, também, é contar histórias de seres humanos que possam contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e pacífica. Não é a de se enterrar na lama do sensacionalismo e divulgar apenas notícias ruins. […] Investigar e contar histórias ajuda os cidadãos a entender o mundo que os cerca. O que poderia existir de mais compensador em uma profissão?”.

Obrigada a todas/os!

Lançamento do livro-reportagem “Por Trás dos Muros”

Texto de divulgação:

A editora Multifoco informa que o lançamento do livro-reportagem “Por Trás dos Muros”, escrito pela jornalista alagoana Acássia Deliê, está remarcado para o dia 11 de agosto de 2010. O evento, previsto para esta quarta-feira (21), foi adiado devido a imprevistos técnicos que impossibilitaram o transporte dos exemplares, em tempo hábil, do Rio de Janeiro, Estado sede da editora, a Alagoas, local do lançamento.

Ao tempo em que pede desculpas pelos possíveis transtornos, a editora Multifoco volta a convidar a todos para o evento, que conta com o apoio cultural do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e será realizado a partir das 19h30, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, em Maceió.

Sobre o livro
Por Trás dos Muros foi produzido a partir de pesquisas no Hospital Escola Portugal Ramalho, único hospital psiquiátrico completamente público de Alagoas. O livro-reportagem convida o leitor para uma viagem inédita ao universo psiquiátrico, utilizando um palco de teatro como portão de embarque.

Por seu caráter inovador, a obra foi vencedora, em 2009, dos prêmios Expocom Nordeste e Expocom Brasil (categoria livro-reportagem), promovidos pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação, a Intercom.

As fotografias publicadas em Por Trás dos Muros são assinadas por Sionelly Leite e Ariana Maurício. Já André Muricy assina a revisão e Ana Paula Tenório a diagramação original. O prefácio sai escrito pela jornalista Carla Serqueira.

O livro-reportagem será lançado com o selo “Em Pauta”, da editora carioca Multifoco. Por meio do blog http://www.portrasdosmuros.wordpress.com , é possível acessar trechos do trabalho, além de fotos que não foram selecionadas pela edição. Imagens emocionantes de um universo que a maioria das pessoas só conhece pelo “ouvir falar”, como destaca Deliê na obra.

O Pianista do Silencioso

Olá, gente boa!

Depois de maravilhosos quinze dias de viagem ao Rio de Janeiro – cidade, aliás, que não é tão maravilhosa assim, como dizem, como cantam, como escrevem, como divulgam… – estou desafiando minha caduca internet e tentando dar continuidade às postagens por aqui, no Fala Cassilda!. Resolvi ousar. Não para possíveis leitores, mas para mim mesma. Decidi utilizar o blog também para compartilhar minhas leituras e falar um pouco sobre elas. Quem sabe, num futuro, até me sinta à vontade para comentá-las e criticá-las.

Para começar, uma obra de um alagoano. “O Pianista do Silencioso”, de Carlos Nealdo dos Santos. Um livro ficcional sobre a chegada do cinema a Rio Branco, no interior pernambucano, e como ele influencia no cotidiano e na vida pessoal dos moradores. O cinema, segundo o próprio autor, é que é o protagonista dessa história, recheada ainda com pitadas de romances e uma pesquisa bibliográfica de tirar o fôlego.

No cenário mundial entre 1917 e 1934, ficção e realidade se entrelaçam na história criada por Nealdo, que, além de escritor, é jornalista. Com a sensibilidade e o humor característicos, o autor cria elementos para que o leitor sorria em alguns momentos, gargalhe em outros – durante as aventuras do garoto Xié, por exemplo – e se emocione em mais alguns, como no desfecho do caso de amor entre os personagens Dago e Biana.

O livro, lançado pela Edufal, em 2007, foi vencedor do Prêmio Alagoas em Cena, em 2006, na categoria Literatura/Romance. Exemplares à venda no site da própria editora.

Agora estou envolvida no fantástico livro-reportagem “Chico Mendes – Crime e Castigo”, do jornalista Zuenir Ventura. Em breve falo sobre ele.