Pechinchar

Pechinchar é como jogar cartas. Para quem vende e para quem compra, é preciso ter segurança sobre o que se tem em mão e sobre o que deseja do outro. Ser firme quanto ao limite do ceder. E, principalmente, ter um talento incrível para blefar sobre tudo isso.

Além de um exímio pedreiro, meu tio sempre foi um excelente trocador. Saía de casa com uma bicicleta e chegava mais tarde com uma moto. Saía com uma moto e chegava com duas. Trocava uma delas por um som profissional, uma bicicleta e ainda o dinheiro do mês. Depois, recomeçava o ciclo. E ficava puto nas raras vezes em que “levava canudo”.

Aquilo me irritava quando criança, mas hoje enxergo uma beleza que nunca havia enxergado naquele sistema de escambo. Melhor, percebo que, de alguma forma, aprendi com tudo aquilo, afinal muitas vezes a vida é pura pechincha.

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