Sobre Avatar

Compartilho com vocês mais um artigo que li sobre o filme Avatar, dessa vez escrito por uma bióloga. Carol Kaesuk Yoon escreveu o texto para o New York Times e eu li uma tradução de Paulo Migliacci, publicada pelo Terra. Concluí que assisti o filme, como ela, com uma visão de bióloga. Uma pena foi ter que sair do cinema às pressas, antes mesmo da última luz ser acendida, para não ser arrastada chão afora por todos aqueles que assistiam [pelo jeito] com uma ótica bastante diferente.


Sei que nem todos que assistiram gostaram da produção, mas vale ler esse trecho da publicação de Yoon:

“Peço desculpas se lhes pareço um tanto entusiasmada, mas a experiência que tive ao assistir o filme pela primeira vez (e na versão 2D) me causou profundo choque. Senti como se alguém houvesse filmado meus sonhos favoritos, em minhas melhores noites de sono, aqueles nos quais passeio e brinco em paisagens familiares mas ainda assim estranhas, acompanhada por criaturas desconhecidas, nadando entre os dinossauros, caminhando e observando espécies inteiramente novas de pinguins, andando de trenó entre gigantescas tartarugas. A semelhança está menos nos detalhes do filme, percebi, do que no mesmo sentimento de júbilo, de deslumbramento diante da vida.

Talvez essa forma de poderosa alegria seja agora a única maneira de conjurar uma visão da ordem na vida. Muitos biólogos de minha geração (completo 47 anos este mês) encontraram inspiração para suas carreiras científicas na série Time-Life de livros sobre animais, hoje em dia bem sem graça, ou no programa de televisão ‘Wild Kingdom’, na época uma experiência televisiva bastante crua. (“Agora, meu assistente Jim vai tentar sedar a onça”.) Mas talvez essas experiências já não sejam o bastante.

Talvez o que seja necessário agora, para atingir um mundo tão acomodado, se assemelhe mais a um êxtase onírico; estamos falando, afinal, de um público que já assistiu aos documentários de David Attenborough sobre a natureza, que passou centenas de vezes, entediado, pelos canais do Animal Planet, sem nem mesmo prestar atenção aos animais. Talvez seja necessário um lagarto que brilha como o fogo e voa como um helicóptero, e uma tropa de lêmures azul brilhante para nos despertar.

Talvez ‘Avatar’ seja aquilo de que necessitamos para realmente insuflar vida aos nossos taxonomistas interiores, e nos levar a verdadeiramente ver”.
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