Odisséia ao Piauí [2] – Dormindo no ponto

Dormi na Besta-lotação. De tão exausta, não aguentei e pendi a cabeça no assento, que até parecia fofo, durante a curta viagem que me levaria até próximo à cidade pernambucana de Barreiros. Acordei com um grito.

– EI, MENINA! TU VAI PRA ONDE?

Já temendo o pior, olhei para o relógio do celular, antes mesmo de responder. O infeliz me mostrava 12h e 40min.

– Vou pra Recife, moço, onde eu desço?
– Rapaz, você descia lá atrás, mas já passou do ponto. Vai ter que voltar.

Peguei minhas coisas e desci tão transtornada que quase esquecia de pagar o homem. Talvez por isso ele tenha me cobrado R$ 1,5 a mais do que o valor real do itinerário. Passei uma nota com desenho de oncinha e voltaram algumas outras, totalizando R$ 45. Questionei, mas o tempo curto não me permitia criar caso. Atravessei a estrada e pedi carona a um veículo que fazia o caminho oposto. Desci coisa de dez minutos depois, defronte a um posto da Polícia Rodoviária Federal, onde alguns veículos particulares fazem lotação até Recife.

Nome singular tinha o motorista que aguardava mais três pessoas para completar os assentos e dar início à viagem. Lembro, sim, do nome dele, mas não sei até que ponto o blog é lido e não sei a quantas anda a fiscalização sobre tais serviços alternativos. Melhor evitar problemas para o rapaz, que trabalha honestamente e que foi incisivo quando me deu o aviso, olhando para o relógio:

– Olha, se você quer mesmo chegar ao TIP [rodoviária de Recife] até as duas e meia da tarde, tem que sair daqui, no máximo, daqui a cinco minutos. Aí eu corro e tento te deixar lá na hora. Caso contrário, relaxe aí e espere o ônibus, que é mais barato.

Muito mais barato! Me custaria, disseram no local, não mais que R$ 10. E muito mais lento! Me custaria, disseram também, não menos que três horas até Recife. Mas marcava o meu apressado relógio 12h e 55 min. E meu bolso marcaria R$ 50 a menos, pois, diante da decisão rápida que eu devia tomar, fui obrigada a completar a grana para o cara sair do lugar. Com um modesto desconto de R$ 10, paguei por mim e por mais três, já que cada um dos quatro passageiros desembolsa R$ 20 para a viagem. Um cara bombadão, daqueles cujas mochilas diminuem quando postas nas costas tão largas, entrou no carro e seguimos voando até a capital pernambucana.

[continua]

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