MinC e a democracia

Eita que ‘tamu’ em Alagoas ‘mermu’!

(Tarciana Portella, Chefe da Representação Regional Nordeste do MinC, em palestra em Maceió, no último dia 04)

Tarciana Portella em Maceió

A platéia era insignificante para o número de produtores e gestores culturais existente em Alagoas. Tarciana Portella, chefe da Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura, falou para menos de 50 pessoas sobre os números da atuação do MinC em Alagoas, a reforma da Lei Rouanet, as perspectivas de novos editais e coisa e tal. Tudo já divulgado – não tão amplamente – pela imprensa.

Mas o que me chamou a atenção foi a “presença de palco” de Portella e suas considerações sobre a democracia no Brasil. Tudo começou quando a representante do MinC foi questionada sobre a intervenção do Estado e do município na seleção de projetos culturais concorrentes aos editais do ministério. “Isso não é certo, aqui existe ‘carta marcada'”, disse alguém. E aí veio a velha recomendação oficial: “Olha, isso é muito sério. Se você está me dizendo, deve ter provas. Então encaminhe tudo em uma denúncia formal que a gente vai investigar”.

A recomendação de Portella não foi suficiente para os agentes culturais que, embora em pequeno número, esquentaram a discussão. “Até uma denúncia oficial põe em xeque a nossa estabilidade por aqui. É bom lembrar da nossa concentração de renda gritante e da dependência da população com relação ao Estado”, refutou outro, seguido de mais alguém: “Não é exagero dizer que, a depender do caso, assinar uma denúncia é assinar a sentença de morte”.

Foi aí que Tarciana Portella, essa jornalista de 49 anos, se levantou da cadeira, ajeitou a calça e falou em voz alta, dispensando o microfone: “Eita que ‘tamu’ em Alagoas ‘mermu’!”. E se pôs a puxar a orelha dos alagoanos, dando uma breve aula de história:

“Gente, engana-se quem pensa que no Brasil existe uma democracia consolidada. Não existe! Foram anos de repressões até 1989, apenas vinte anos atrás. Desde lá somos nós os responsáveis por construir essa democracia. E estamos conseguindo! Eu nunca imaginei, por exemplo, ver o Paulo Maluf passar um dia que fosse na cadeia, mas ele passou. Se aqui o processo é mais complicado, mais lento, vocês vão fazer o que? Vão sucumbir? Vão fechar Alagoas? Cadê a solidariedade entre os grupos daqui? Coloquem a boca no trombone!”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s