Como esquecer

29 de março de 2011 at 21:29 1 comentário

Os livros são sempre companheiros. A leitura da vez é “Como esquecer”, da escritora Myriam Campello. A obra inspirou o filme brasileiro homônimo, dirigido por Malu de Martino.

A seguir alguns trechos do livro:

Quando alguém diz eu te amo para sempre, tenha certeza que você só tem uma opção: acreditar, babaca. Eu acredito em amor eterno, Papai Noel, coelhinho da Páscoa e que todo sofrimento tem fim.

E essa missão de morte me humilha, obrigada que sou a dar marcha a ré e demolir com violência a construção que eu mesma levantei amorosamente, dinamitar memórias e paisagens talhadas para os séculos. Não saio para não ver uma cidade retorcida, ainda fumegando.

Estou abúlica, monomaníaca demais para ser boa companhia. Alguns [amigos] se cansam. O mundo contemporâneo mostra-se pouco à vontade ante uma dor que excede seus prazos exíguos. O sofrimento alheio dá enjôo. Pouco importa que se tenha perdido tudo. E daí? – pensam, tricando a torradinha. A tese de Hugo é a de que a reação dos outros é inveja recalcada: as pessoas se vingam de tantos anos de felicidade a que tiveram que assistir do sereno.

Tento puxar da vala comum uma autoestima sobressalente para enfrentar as marés que se quebram contra minha nau afundando.

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1502 dias Seu Gógli

1 Comentário Add your own

  • 1. Ariana Maurício  |  30 de março de 2011 às 18:51

    Por isso me identifiquei tanto com Ana Paula Arósio. O livro me parece ainda mais brilhante. Na dor e na alegria.

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"Acorda Cassilda! Levanta pra comer, Cassilda! Não estou ouvindo, fala Cassilda! Ai, Cassilda, você não tem medo de me matar do coração?" Cassilda sou eu, pelas palavras da minha avó. Meu lazer preferido é chegar em casa em surdina e dar-lhe o maior susto, seguido de gargalhadas e abraços. Acássia Deliê é jornalista, formada pela Universidade Federal de Alagoas e há tempos vinha pensando em criar um blog. Cá estamos...

 

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